2013


 

Prezados,

É com muita alegria que apresento a vocês meu segundo filho deste ano.
Ele chama 2013.

A obra tem 365 capítulos, cada um deles corresponde a um dia do ano de 2013.
Ao todo são 414 páginas de texto e imagens sem um centro fixo.

Devo sua concepção a muita gente, na real foi uma verdadeira suruba.

Queria agradecer a Cássia Nunes (pela estrutura), Aline Mota (pela energia), Marco Alexandre Silva (pelo absurdo), Carlos Sekko (pelo suporte), Larissa Milano de Souza (pela revisão), Mariana Silva (pelo START), Edu Pacheco (pelos devires), Erlon Radl (pela rádio russa UVB-76), Fabio Neves Martins (pela 1ª leitura), Pedro Soares (pela cerveja no posto de gasolina) e mais uma cacetada de gente.

O livro logo estará disponível para quem sentir coceira. No momento os exemplares que tenho são para um fim bem específico: meu TCC.

Abraço

PEG


4. Novelty


3. A mão


1. A luta


$chave

..m

Fig. 467. Dog's bite.

 R[noise]ecuperando [flash]aquela…
Com[acute noise]o ela está[shhhhh]?
Nada [low noise] bem.
P[noise]or quê?
Entro[noise]u no meio d[noise]…[fadeout]
[fadein]enha até mim.
[fadein][noise][fadeout]
[scratch]você[shhhhh]
Po[noise]sso voltar com v[noise]ocê.
Nã[shhh]o é incômodo?[noise band]
[acutenoisephony]loucura.
Agora n[noiseatall]ão.
[clic][clic][noise]
Pobre Helena.
Tenh[noise]o muita pena dela[fadeout].
Pare feiquElena.
Sem[noise]pre teremos algo para o jantar.
[fadein]Ou não né.
O[noise]u não né.
Za[scratch]aaa.
[Noi[noise][fad[n[noise]oise]out]se]

SEQUÊNCIA NÃO FILMADA


(Defa)donho, escripto e repugna-nância. A literatura contemporânea suada gaùcha_mix com paulista se percebe enquanto grupelho, enquanto amigóide lusófano, bem funcional. Diurético solêmico. Reque-quebra portentoso por dentro, e por fora é o mesmo canto de sempre. Alunos a-bancados. Detrói’Buffalo. Pessoas mais velhas. Que ensinam outras. Baseando-se em-caixe mais do mesmo m-achado d’assis. Ou Druminnimond-do-eixo. Foge dali e vai direto para o fundo do mar-mar-Frio. Sol-que-te-pariu. Entranhas com títulos superbs. Grandiloquencilânimes no banco de recosto de troca de roupa de closet de mdf revestido com anigila branca com aspecto de mármore iluminado com luminárias estilo american 50’s lâmpadas inncannon frias halopatas. Escreve ali embaixo sem barulho atrás da nuca nem barumalúga no trovacalhado sustentoso rebenque. Escreve coisas outras que dificilmente encontra lugar dentro da gente, pois a gente, na maior parte do tempo, tem mania de repulsa. Repeleco. Entrega SEDEX12. Dentro da caixa você enviou você em 7 pacotes de tabaco. Bem na minha frente. No mercadológico de iguarias e frutas e milhares de coisinhas doces e piscoantes-piscodepois e corzinhas variando a cada milimetasegundo. Nem vou pagar essa entrega. Não é para mim. Não moro mais aqui. Avisa que eu mudei. Que eu transformei. Diz que é loucura tentar rastrear um laptop usando/com um GPS-pluto sem duque na faxinha. Pedregulho aberto à bala. Quilômetro e meio de fio de cobre enrolado em volta do pescoço espicaçalhando toda rede de trânsito.

Geradores de Sentido

Quando vejo John Baldessari queimando suas obras não penso na História da Arte. Penso no ato, desapegado, livre e provocativo. Enquanto seus amigos lançam suas obras na fornalha do crematório noto que John ri. É um riso de 1000 graus centígrados. Mas ele permanece firme, como um gigantesco orangotango da arte, barbudo e iconoclasta.

Dizem que a arte moderna nasceu da raiva e do ressentimento. Eu diria que a arte contemporânea foi gerada pelo senso de humor misterioso, confuso e ameaçador do conceitualismo. Uma das (três) correntes de pensamento de Henri Bergson, no ensaio Le Rie, de 1900, “focava a incongruência como catalisador essencial para o efeito cômico” (BEYER. 2007). Não seria, então, a incongruência – manifestada como o inverso do trivial – uma das muitas chaves para o entendimento da arte contemporânea?

Por que não podemos afirmar que exista um artista que personifique o projeto contemporâneo da mesma maneira que Pablo Picasso vestia o modernismo? A resposta é simples e está enraizada na ideia de pluralismo pós-moderno. Não existem universalismos possíveis em um mundo onde a arte se desorganiza em torno da diferença. Além disso, os pós-modernistas clamam que a arte não pode ser compreendida através de seus elementos formais, mas requerem também um entendimento do seu contexto cultural (EFLAND. 2005).

Se aplicarmos a teoria da incongruência de Bergson à arte contemporânea, poderíamos dizer que a arte conceitual, pré-arte contemporânea, consiste em instaurar modos não-conformistas de deslocar o mundo. Esse artista (pós-moderno) incongruente lança mão de preposições a cerca da realidade reinventando-a através de métodos narrativos não-lineares. Isto nada mais é do que a essência da arte conceitual. Por mais que não tenhamos permissão de utilizar a palavra ESSÊNCIA, pois os pós-estruturalistas nos queimariam vivos na fogueira da impermanência.

Assim, a elasticidade e a flexibilidade da linguagem, com o auxílio de truques que invertem os significados e transpõem os sentidos, possibilitam um ataque direto às bases estabelecidas da lógica à rigidez cotidiana. Isto quebra o senso de direção tradicional do observador obrigando-o a participar do processo pensando. Neste ponto, às objeções dos modernistas já não fazem o menor sentido. Eles permaneceram imóveis tentando compreender o conceito da planaridade em um mundo dinamicamente hiperbólico.

Querido leitor, peço desculpas pelo pensamento tangencial, vamos voltar a John Baldessari. De certa forma ele pegou esse mundo hiperbólico, massivo e saturado de ícones e manipulou como uma criança manipula argila. Bateu nele, amassou e o agrediu em surras filosoficamente homéricas. Ele ensinou o alfabeto para vegetais como um exemplo de pesquisa antropológica, enquanto o vovô Duchamp se contorcia no caixão. Baldessari perseguiu a semiologia e a destrinchou, repetindo isso ad infinitum. A essa experiência, de destruição/recriação da linguagem, ele chamou de arte.

Os espectadores do senhor Baldessari deixam suas exposições aliviados. Todos seus anseios são amenizados quando olham para as galáxias de pontos coloridos e para os milhares de narizes e pensam, “ufa, eles ainda estão lá”. As repetições, as colagens e as apropriações estão lá, penduradas na parede dos white cubes do mundo. Como toda a boa e velha arte chata. Tudo bem, John não liga para isso, os fundos para sua batalha cool continuam entrando. Novas ideias aparecem, mas a ironia incongruente continua sendo o principal dispositivo do arsenal.

Uma retrospectiva de John merece destaque, Pure Beauty (Beleza Pura), realizada entre 13 de outubro de 2009 e 10 de janeiro de 2010, no templo britânico da arte, Tate Modern. Durante 3 meses, 30 anos de sua produção foram expostas. Havia de tudo, de foto-montagens a vídeo-documentos, textos publicitários alterados e figuras removidas de pinturas clássicas. Para John, tudo pode ser manipulado e incorporado. Tudo pode ser criticado, fragmentado e revirado. O mundo é seu playground onde todas as babás foram assassinadas.

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Referências

BERGSON, H. O Riso. São Paulo: Martins Fontes, 2001.
BEYER, V. Limits And Laughter. The Comedy of Lenny Bruce and Andy Kaufman. Univ. Duisburg-Essen, 2007.
EFLAND, A. D. Cultura, sociedade, arte e educação num mundo pós-moderno. in: GUINSBURG, J.; BARBOSA, A. M. O pós-modernismo. São Paulo: Perspectiva, 2005.

Bookeeping # 1

Bookeeping. India ink on paper. 2013

sem título

sem título | Mixed Media on paper | Jan. 2013.

Temper

"Temper" | Mixed Media on paper | Jan. 2013.






Beard Burn

 "BeardBurn" | Mixed Media on paper | Dec. 2012.

y-o-k-a-h-a-i


O Abismo Branco

Estamos em 1896, Nietzsche olha o nada. Sua mente é incapaz de integrar um pensamento. Anos depois, sua irmã irá abandoná-lo para sempre. Quando Leibniz morreu, suas correspondências foram enviadas para Kant, 200 anos antes. Seus obstáculos em vida (de Leibni(t)z) eram de outra ordem, mais parecidos com os de Kepler, ou de Kafka. Eram envoltos pela existência. Nenhum nem outro imaginava como o mundo terminaria, e nem por isso regressaram ao útero. No conflito interno, onde o subjetivismo combate o poder, somos impelidos a voltar, isso era o que eu pensava na época. As pulsações do subsolo invertem suas direções, são como vetores multifacetados evolutivamente divergentes em relação à seta temporal. São entes imaginários. Sem precedente real. Sem lastro no mundo. Sem porra nenhuma. Isso quem disse não foi ele, foi Lorenz, a partir de uma perspectiva etimológica, em frente ao pathos. Durante o século XIX inteiro ocorreram inúmeras anomalias na superfície do sol, exatamente como hoje e como a 1 milhão de anos. Entretanto, nenhum registro gráfico desses distúrbios foi efetuado nas paredes de Lascaux. Nem em Naspolini. E muito menos na Diamantina. Isso é óbvio. Essas pessoas estavam preocupadas com a mímese da sopa primordial, estavam atucanadas com a primeira representação narrativa do mundo, mesmo que não fosse. Quando Benjamin olhou para o vasto colosso da Xerox Corp erguido no meio do deserto num centro de pesquisas em Palo Alto, ele desconfiou que suas premissas modernistas estivessem corretas. Ele era, afinal, um hominídeo pensador como qualquer outro. Era adepto do uísque e das divergências da Grande História e da metanarrativa de Lyotard. Isso eu li. Agora, desse entrecruzamento interdisciplinar com tendências artístico-artesanais, realizado em Santa Fé, Novo México, nasceu Bispo, o marinheiro esquizofrênico, e toda uma quadrilha de performers conceituais autorreferenciados e biografematizados. Nossos catedráticos - que não eram muito diferentes dos imaculados renascentistas, nem dos idolatrados neoclassicistas e nem dos pós-estruturalistas (estes sim, artistas que explodiram berços) - sabiam o que estava acontecendo. Essa é a teia. Ou melhor, uma diminuta parcela da teia dos homens do abismo branco. Do pelotão alfa-ômega que nos define. Acontece que existem estudos culturais, e estudos críticos, e estudos transgender, e tudo o mais envolvendo nano-histórias de alguma coisa impossível de apreender continuamente - pois é impossível, e porque pulsa no tempo. Mas isso não é narrar. É um não-registro. Essa é a ficção que constrói nossos sub-objetos do devir. Isso era o que Nietzsche diria, se pudesse. Mas não pode, pois sua circuitaria neuronal está em 1666, no ano dourado. No ano newtoniano. E dourado. Na aurora de um mundo mecânico com espírito alquímico e pagão.

Experiência

O excesso e a infância do homem

Georges Bataille (França, 1897 - 1962), em sua crítica ao pensamento ocidental logocêntrico, nos convida
a uma reflexão sobre a “experiência interior” que, segundo ele, é composta por forças heterogêneas como
acaso, não-saber, imprevisto, e somente faz sentido às vistas do excesso sofrido/suportado. Ele delineia a
experiência através de uma escrita desconfiada que transborda aspectos da literatura, da poesia e de um
discurso não completamente filosófico, pois a razão do discurso filosófico representa um bloqueio para uma
escrita que não tenha medo da deriva .

A experiência, aqui, não se associa ao conhecimento pré-reflexivo do sujeito com o mundo nem ao saber
herdado pela vivência. A “dialética” de Bataille é a dialética do limite e da transgressão, ao passo que
o conhecimento pode ser encontrado no não-saber, no impossível, por isso escolhe o excesso como
forma de abordagem da experiência, pois o excesso permite teorizar a respeito de campos não comuns à
filosofia, como a violência, o erotismo e o êxtase. Essa versão de experiência vivida ao extremo, enquanto
acontecimento-limite, permitiria ao sujeito uma abertura a conhecimentos imprevisíveis.

Em 1978, no livro “Infância e História: Destruição da experiência e origem da história”, o filósofo
Giorgio Agamben (Itália, 1942) avança nas discussões iniciadas por Walter Benjamin e referentes
ao suposto desaparecimento da experiência tradicional. Para Agamben, as experiências hoje são
vivenciadas fora de nós, vividas através de imagéticas urbanas, de campanhas midiáticas e de agendas
mercadológicas. Perdemos a posse sobre a experiência quando nos foi permitido ter autoridade sobre
conhecimentos “inexperienciáveis”.

Segundo ele, a ciência, e seu ideal de verdade, programada pelo projeto cartesiano, transladaram a
experiência do sujeito para um ponto abstrato, o ergo cogito (consciência), levando à supressão da
experiência na modernidade e consolidando uma crise contemporânea da experiência. Uma das conclusões
de Agamben é que o problema da experiência, em última análise, é um problema da origem da linguagem,
pois a experiência pura e muda ocorreria na infância humana anterior à linguagem.

Rush



É importante deixar claro que a intenção do acaso pode ser a não-intenção e que o não-previsto abocanha em milissegundos o destino de uma pessoa sem deixar vestígios reais de sua ação. Essa visão fragmentada de um mundo que não possui Uma Única regência cadenciada assusta o mundo das pessoas que negam o mistério da coincidência.

#1

“O Dom Perverso da Contradição”
Série de três desenhos
Caneta esferográfica, nanquim, pastel, acrílica sobre papel cotton
66 x 56 cm
2010
Foto de Gui Tavares

Abismo Branco


  



 "Abismo Branco". Series of four paintings. Mixed Media. 63x85cm. SOLD. 2012.